terça-feira, 31 de maio de 2011

Cosmovisão Materialista e Cosmovisão Espiritualista - AVV40 - Resumo da Aula 16 parte A - 18/05/2011

Em virtude de compromisso anteriormente assumido pelo Professor Heitor Miyazaki em Portugal, esta aula foi, excepcionalmente, dividida em duas partes, sendo a primeira orientada pelo Professor Fernando Antônio Mendes Marques e a segunda pelo Professor Sinji Takahashi, ambos Preletores da Sede Internacional. Os temas foram escolhidos pelos professores. Na aula 17 retornaremos à sequência do estudo minucioso do volume 1 d”A Verdade da Vida.

Livro-texto desta aula: A Verdade da Vida, volume 13, capítulo 1 - Cosmovisão Materialista e Cosmovisão Espiritualista – Orientações do Professor Fernando Antônio Mendes Marques, Preletor da Sede Internacional.
Objetivos desta aula: Entender um pouco mais o ensinamento da Seicho-no-Ie (avaliar o processo de entendimento religioso da SNI) e obter compreensão maior em relação aos outros movimentos religiosos.
Cosmovisão: se fôssemos utilizar uma palavra mais atual, poderíamos dizer que cosmovisão é um “mapa mental” que nos diz como navegar neste mundo, ou seja, é a maneira de “encarar o mundo”. Fomos buscar num dicionário, como poderíamos classificar a palavra cosmovisão: "conjunto de suposições e crenças que alguém utiliza para interferir e formar opiniões a respeito da humanidade". Conforme o estudo (AVV 13, capítulo 1) este mundo é regido por duas crenças [cosmovisões], e é justamente sobre essas duas crenças que iremos abordar nesta aula: a visão materialista e a visão espiritualista.
AVV 13: "Segundo a visão materialista, este mundo é formado pelo agrupamento casual de diversos elementos materiais, sem nenhuma conexão entre si, e não um mundo criado com objetivo claro e definido e coordenado por uma inteligência superior".
Para aquele que tem visão materialista, passamos a ser um agrupamento casual de matéria. Nascemos ao acaso, vamos viver ao acaso, à mercê das coisas que irão acontecer e um dia iremos desaparecer. Aquele que tem essa visão materialista não reconhece a existência de uma força superior a nos orientar. Portanto, aqueles que têm visão materialista do mundo pensam que nós, seres humanos, surgimos casualmente, passamos por muitas vicissitudes, sofremos, afligimo-nos e morremos, também, casualmente. As pessoas que pensam assim chegam, inevitavelmente, à conclusão de que esta vida não tem sentido, não existe coisa alguma que tenha valor imorredouro, portanto, não existe uma vida de valor eterno. É como se acreditassem que viemos do pó e para o pó retornaremos. Quem tem visão materialista acredita que não existe uma força superior, então, não tem a crença de que Deus existe.
A informação a respeito da visão materialista fica muito clara para todos nós. No entanto, quando passamos a estudar a visão espiritualista, conforme o capítulo 1 d'A Verdade da Vida, volume 13, verificamos que o professor Masaharu Taniguchi nos transmitiu informações bem interessantes. Gostaríamos de compartilhar essas informações.
Se a visão materialista é aquela que não reconhece a existência de uma força superior a nos orientar, a visão espiritualista é aquela que admite a existência de uma ou mais forças superiores que podem vir a nos orientar. No contexto da visão espiritualista, não nascemos ao acaso e, sim, com uma missão neste mundo; e o nosso objetivo é, ao tomarmos conhecimento dessa missão, passarmos a viver essa missão. Somos orientados por uma força superior, à qual poderíamos classificar como sendo a "força de Deus", mas, vamos deixar ainda esse detalhe em aberto. Vamos nos ater, apenas, que somos orientados por uma força superior. Para nós, que somos adeptos da Seicho-no-Ie, está claro que temos uma visão espiritualista da vida. Por isso, estamos aqui reunidos para estudar a Verdade, porque acreditamos no invisível, porque acreditamos que temos uma missão, e que essa força superior nos orienta.
Aqui, sim, começa o nosso estudo. Acredito que todos, aqui, já têm essas informações: visão materialista e visão espiritualista. Só que o professor Masaharu Taniguchi, a partir desse momento do estudo, passa a nos fornecer algumas informações bem interessantes para que possamos reflexionar em relação ao nosso entendimento, à nossa visão sobre esse assunto. O professor Masaharu Taniguchi diz que a visão espiritualista divide-se em quatro tipos de conceitos: Espiritualismo Pluralista, Espiritualismo Dualista, Espiritualismo Monista e Espiritualismo Monista Teísta. Vamos reflexionar a respeito de todos os itens, para que possamos ter uma visão global, mas, também é importante que fique claro para cada um de nós, adeptos da Seicho-no-Ie, preletores e divulgadores, em qual desses conceitos encaixa-se o ensinamento da Seicho-no-Ie. Vamos reflexionar, agora, em relação à visão pluralista.
AVV 13 pág. 68: "A visão do mundo baseada no espiritualismo pluralista é aquela em que a pessoa admite a existência de mais de um Deus governando o Universo".
Vamos imaginar alguém que tenha uma visão espiritualista do mundo, só que a visão espiritualista dele é a pluralista. Ele pegou o mundo e o dividiu em nove partes. Para cada uma dessas partes existe um Deus, é como se o mundo fosse dividido em nove religiões e essas religiões não tivessem qualquer ligação entre si. A pessoa que tem visão pluralista está classificada nesta visão. Ela divide o mundo em várias partes e passa a ver sua religião como o único caminho: "só a minha religião salva". Então, quem está no grupo A passa a acreditar que só o seu Deus salva, o único caminho para a salvação é aquele que ele professa, e passa a ver todos os demais como caminhos diferentes, que não levam à salvação. O professor Masaharu Taniguchi, nesse mesmo artigo, explica que muitos conflitos religiosos são oriundos dessa visão. O espiritualismo pluralista, portanto, é algo que poderia assim ser tipificado: "Está comigo, está com Deus. Não está comigo, vai arder". É uma visão que diz "eu estou no caminho certo e os demais estão no caminho equivocado". Segundo essa visão de mundo, há vários “deuses” governando isoladamente seus respectivos domínios neste mundo, cada qual à sua maneira e com seu próprio objetivo. E é essa “visão” do mundo a principal responsável pelas rivalidades entre as religiões.
A partir do momento em que passo a ver cada caminho como manifestação de um Deus diferente, essa visão difere do ensinamento da Seicho-no-Ie. Na constituição religiosa da Seicho-No-Ie o Professor Masaharu Taniguchi disse que só existe um princípio de salvação, mas, esse princípio de salvação se manifesta de diferentes maneiras. Ele dá um exemplo: "A cerejeira está vivendo e manifestando a Vida de Deus através da sua missão, que é nascer como uma cerejeira; da mesma forma, a macieira está vivendo a sua missão como macieira, mas a sua vida não difere da mesma vida da cerejeira". O meu caminho pode ser diferente, a minha denominação religiosa pode ser diferente, mas, se eu posso aceitar o outro como manifestação do mesmo Deus, do mesmo princípio de salvação, não há desarmonia. Isso porque eu entendo que, mesmo a minha ramificação religiosa sendo X, a Y também é manifestação da Vida de Deus. Para que possamos compartilhar melhor, vamos exemplificar: O Cristianismo é baseado no Novo Testamento; o Judaísmo é baseado no Velho Testamento; o Islamismo é baseado no Alcorão. Enquanto cada um vir o seu caminho como o único de salvação para a humanidade, sempre vai haver atritos. Atritos levam a atitudes fundamentalistas, como: "Eu estou na filosofia B e acredito que quem está na A, ou nas demais, está no caminho errado". O Professor Masaharu Taniguchi diz que o ato de quem está em B, de tentar salvar quem está em A ou C, também é um gesto de amor, conforme a sua compreensão da Verdade. Assim, é "ato de amor" a tentativa de tirar quem está em A ou C, para fazer parte de B, mas, a sua compreensão é limitada porque ele está preso na sua concepção pluralista: "o meu Deus é o que salva, os demais não são manifestação da Vida de Deus e, portanto, não salvam".
Assim, não basta ter uma visão espiritualista da vida. É necessário descobrir em que tipo de visão, em que conceito de espiritualismo nós acreditamos. Assim, o espiritualismo pluralista é aquele que divide o mundo em várias partes e passa a acreditar que "só o meu caminho é o que salva". O professor Masaharu Taniguchi cita que "há pessoas que entendem que tirar alguém de um movimento religioso e transferi-lo para o seu movimento, nessa visão pluralista, é acreditar que, quando convencem alguém do grupo A a mudar para o grupo B, estão alargando os domínios do seu Deus. É fazer com que o seu movimento religioso se torne mais forte porque está tirando alguém do grupo A para o B". Com relação a esse aspecto, o professor Masaharu Taniguchi assim se pronuncia: "a Seicho-No-Ie não tem como objetivo fazer com que você abandone sua religião". Mas, ao estudar o ensinamento da Seicho-no-Ie e tocar na Imagem Verdadeira, independente de estar aqui ou na sua religião, Deus é único, a Verdade é a mesma. O mais importante é que as pessoas vivam. Voltando ao exemplo das cerejeiras, o professor Masaharu Taniguchi diz que "Se a cerejeira não manifesta a Vida, ela é uma árvore morta. A designação da espécie conhecida como cerejeira sempre vai existir. Se tivermos 10 árvores aqui e todas forem cerejeiras, a concepção será a mesma, mas, 8 podem estar vivas e 2 podem estar mortas". Assim, não importa se seu caminho é A ou B. Você pode fazer com que A seja um caminho vivo, mas, eu, você, todos nós, podemos fazer o mesmo com B, ou fazer com que ele se torne um caminho morto, porque a designação não irá fazer diferença, quem irá fazer a diferença se o ensinamento vai surtir efeito em minha vida ou na sua vida, somos cada um de nós.
Vamos ao Espiritualismo Dualista. O nome já diz: "dual" vem de "dois". É aquele que divide o mundo em duas partes: do bem = Deus, e do mal = Satanás. Eu me lembro que, ainda era novo na Seicho-no-Ie e meu tio, que era de outra designação religiosa, descobriu que eu estava frequentando a Seicho-no-Ie. Ele, com bastante amor, veio conversar comigo e disse: "Fernando, descobri que você está indo à Seicho-no-Ie, e vim lhe dar um conselho: eu não quero ver você ardendo no inferno! Por favor, saia!". Na visão dualista, portanto, há duas forças antagônicas, uma é "bem" e a outra é "mal". Olhem que interessante, não basta ser espiritualista, eu posso ser espiritualista pluralista e entender que só o meu caminho salva, os demais não; e posso ser espiritualista dualista, dividir o mundo em duas partes: bem e mal. Quando se divide o mundo em duas partes, bem e mal, surge o primeiro princípio: eu estou no bem ou no mal? Claro, se divido em duas partes, eu faço parte do bem. Aqueles que não concordam comigo, aqueles que não professam a minha fé, aqueles que não professam o ensinamento em que acredito, na minha concepção, fazem parte do mal. Esses fazem parte de um caminho incorreto, influenciados por uma força a que alguns dão o nome de Satanás. Dentro da Seicho-no-Ie, não acreditamos em "inferno". Não existe um local chamado inferno, mas, o professor Masaharu Taniguchi, apesar de ensinar que esse local não existe, disse que o ser humano tem a capacidade de, através de seus pensamentos, projetar em sua vida, seja nesse mundo dos cinco sentidos, seja no mundo espiritual, situações parecidas com algo chamado "inferno". No livro Leve Avante sua Vida há uma passagem do professor Masaharu Taniguchi que me faz reflexionar bastante. Ele diz assim: "A porta do inferno é giratória, você entra ou sai quando quiser". Houve época em minha vida que eu ficava pensando: "Meu Deus, como estou visitando esse inferno!". Isso porque, de vez em quando, você deixa o seu "eu falso" se manifestar, seja numa discussão, seja numa palavra ou num gesto, você "esquece" que é filho de Deus e se vê projetando. Não acreditamos que exista algo chamado inferno, mas, dependendo da postura mental de algumas pessoas, elas podem projetar em suas vidas situações de dificuldade parecidas com a descrição do ambiente chamado inferno.
O Espiritualismo Dualista divide o mundo em duas partes: bem e mal. Quem tem esta visão dualista reconhece que esta força do mal existe e, quando algo que não é bom acontece em sua vida, pode definir, acreditar, e verbalizar que isto é a força do mal que está atentando para que aja de maneira incorreta. O Professor Masaharu Taniguchi diz que, do mesmo modo que a visão pluralista gera atritos, se a visão dualista divide o mundo em duas partes, nesse aspecto, também existem atritos. No pluralismo eu passo a me ver no único caminho de salvação, e não reconheço os demais caminhos como de salvação, e isso gera atritos e atitudes fundamentalistas. Mas, se eu tenho uma visão de espiritualismo dualista, passo a ver também o outro que tem um caminho diferente, uma crença diferente, como alguém que está no caminho do mal, e isto vai gerar atritos também.
São quatro as Cosmovisões Espiritualistas. A primeira é do Espiritualismo Pluralista, a segunda do Espiritualismo Dualista, a terceira do Espiritualismo Monista. "Mono" vem de “um”, só que há uma observação dentro do livro A Verdade da Vida, volume 13: há algumas pessoas que acreditam ser espiritualistas monistas e que esse mundo é regido por uma força, uma vontade cega, que nos impele para frente. Só que essas pessoas não reconhecem essa vontade cega como Deus. Acreditam que existe uma vontade cega que nos impele para frente, mas não existe a denominação "essa força invisível, essa vontade cega, é a manifestação da vida de Deus, faz parte da vida de Deus, que preenche todo o Universo". Então, acreditam na vontade de algo que as impele para frente, mas não reconhecem a existência de Deus. Assim, visão pluralista remete a vários deuses; visão dualista remete a duas forças antagônicas: bem e mal; visão monista acredita na vontade que nos impele para frente. O professor Masaharu Taniguchi nos dá como exemplo o filósofo Schopenhauer, que acreditava nessa vontade cega que nos impele para frente.
Agora vamos entrar no que a Seicho-no-Ie acredita. No que poderíamos dizer que está "encaixado" o ensinamento da Seicho-no-Ie? A quarta Cosmovisão é o Espiritualismo Monista Teísta. Se pararmos para reflexionar sobre a literatura da Seicho-No-le, poderíamos dizer que a Seicho-no-Ie é o ensinamento da Imagem Verdadeira, é o ensinamento que diz: "Existe Deus e o que vem de Deus", ou seja, tudo é manifestação da Vida de Deus. Senhores aqui presentes, que provavelmente residem na grande São Paulo, eu lhes pergunto: No bairro em que os senhores residem, na cidade em que os senhores residem, tem ladrão? Se quiserem, posso repetir a pergunta... Vejam que pergunta interessante para nós, adeptos da Seicho-no-Ie. Na cidade em que você reside tem ladrão? Se tiver ladrão, significa que ele é filho de Deus e ladrão, confere? Percebem como nós vivemos na dualidade? A Seicho-no-Ie diz: "somente existem Deus e o que vem de Deus". Por isso, dizemos que a Seicho-no-Ie é o Espiritualismo Monista Teísta. Essa é a crença, a crença na Imagem Verdadeira. Tudo e todos são manifestações da Vida de Deus, é a crença do ensinamento da Seicho-no-Ie. Alguém pode se manifestar como ladrão, mas a sua essência é perfeita. No entanto, se eu passo a reconhecer o manifestado como verdadeiro, por força da minha mente, esse “manifestado” continuará se manifestando cada vez mais. Mas, se eu tenho a crença de que ele é imagem e semelhança de Deus, pode se manifestar como ladrão para outras pessoas, mas, não na minha direção, porque o que rege a minha vida é a minha convicção, é a minha crença, são os padrões que carrego dentro do meu coração. Se o ensinamento da Seicho-no-Ie diz "todos são manifestação da Vida de Deus", o meu papel é manifestar esse "todos" como Imagem e Semelhança de Deus.
Falando de religiões, imaginem cada dedo como sendo uma religião, e a palma da mão como um paraíso. Os dedos podem ser diferentes, mas todos convergem para o centro, isto é, a palma da mão. Os caminhos podem ser diferentes, mas o princípio de salvação é único. Deus se manifesta através do ensinamento da Seicho-no-Ie. O mesmo Deus se manifesta através do cristianismo, do budismo ou do xintoísmo. As formas de manifestação diferem porque as pessoas têm grau de entendimento que difere de uma para outra. Podemos dizer a alguém: "você é imagem e semelhança de Deus" e a pessoa aceitar isso. No entanto, há, também, aquele que, ao ouvir "você é imagem e semelhança de Deus", vai dizer "não, não, eu sou um pecador, nasci para sofrer". A Verdade se manifesta de acordo com o grau de espiritualidade de cada pessoa.
Para que possamos finalizar, vamos reflexionar com esta parábola:
Um mestre, dentro de um mosteiro, tinha 100 discípulos. Um dia, contando com quase 100 anos de idade, ele decidiu escolher dentre os discípulos quem seria o novo mestre do mosteiro, assim que regressasse ao mundo espiritual. Com esse propósito, pediu para que pintassem de branco uma grande parede do mosteiro, e deixou alguns pedaços de carvão no chão. Em seguida, pediu para que os discípulos escrevessem uma frase nessa parede. O autor da frase que contivesse o significado mais profundo seria o novo mestre. Dentre os discípulos, havia um que estava a aproximadamente 50 anos no mosteiro, nunca faltara a uma única aula, era estudioso, sabia muito do ensinamento que lhe fora transmitido. Assim, quando o mestre disse "aquele que escrever a frase mais profunda será escolhido o novo mestre", quase 100% dos demais discípulos pensaram "quando ele escrever, acabou o concurso, ninguém escreverá mais nada". Isso porque sabiam que ele era muito estudioso. Eram três dias de concurso. Todos se apressaram para escrever cada um a sua frase. No segundo dia, lá vai o estudioso e crava a sua frase:
"A MENTE É UM ESPELHO ONDE A POEIRA SE ASSENTA; LIMPE A POEIRA E VOCÊ SERÁ UM ILUMINADO".
A mente é um espelho onde a ilusão se assentou. Limpando a ilusão, o iluminado se manifesta. Quando ele escreveu, ninguém mais se atreveu a escrever qualquer coisa na parede. Todos passavam, olhavam e comentavam: "mas, que frase, hein?".
No terceiro dia, faltando dez minutos para acabar o prazo do concurso, sai da cozinha, ele, o cozinheiro, que estava naquele mosteiro havia 60 anos, dirige-se ao muro e pega o carvão.
Todos os discípulos estavam no pátio e, quando o cozinheiro pegou o carvão, alguém lhe perguntou:
- E aí, tudo bem? O que é que você vai fazer?
- Ora, vou escrever a minha frase!
- Mas, você não viu que já escreveram uma frase que é muito profunda?
- Sim, mas o importante é participar!
Não se sabe se o cozinheiro estava querendo chamar a atenção, mas escreveu sua frase bem embaixo da frase do estudioso. À noite, o mestre reúne os 100 discípulos para comunicar quem foi o autor da frase mais profunda. Todos tinham certeza, vai ser o estudioso.  "A mente é um espelho onde a poeira se assenta...".
Só por curiosidade, eu gostaria de saber, entre os senhores, quem acredita que foi o estudioso o escolhido, levante o braço... Três pessoas levantaram o braço, para não deixar o estudioso sozinho! E olha que nem sabem o que o cozinheiro escreveu! A grande maioria, sem saber o que foi escrito, já está botando fé no cozinheiro.
À noite, portanto, o mestre reuniu todos os discípulos e disse: "Atenção, assim que eu falecer, o novo mestre será o autor da frase: "A mente é um espelho onde a poeira se assenta; limpe a poeira e você será um iluminado"”. Todos já sabiam e, felizes, se recolheram. Dez e meia da noite, alguém bate na porta do cozinheiro. Adivinhem quem era: o mestre.
Para você que depositou suas fichas no cozinheiro, aí vai a boa notícia: quando o cozinheiro abriu a porta, o mestre lhe disse: "Você deveria ter sido escolhido o novo mestre. Quando chegou aqui há 60 anos, quando eu bati os olhos em você, logo percebi que você sabia de tudo, não precisava aprender mais nada, tanto é que ficou 60 anos na cozinha, sem nunca reclamar! Você deveria ter sido escolhido o novo mestre, mas, eu não poderia deixar com você um mosteiro com mais 99 discípulos que não iriam entender o que você estava pregando, portanto, os discípulos terão um mestre de acordo com o seu entendimento”.
A pergunta é: o que é que o cozinheiro escreveu?
Vejam: "A mente é um espelho onde a poeira se assenta" é a verdade horizontal pregada pela Seicho-No-Ie. A Seicho-no-Ie, no entanto, está pautada na Verdade Vertical. O que o discípulo cozinheiro havia escrito bem embaixo da frase “A mente é um espelho onde a poeira se assenta; limpe a poeira e você será um iluminado"? Ele cravou: "Não existe mente nem espelho. Só existe Deus". É isso, não existe mente nem espelho, onde você olhar, onde você viver veja Deus! Muito obrigado a todos!

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